Saturday, September 13, 2008

Sobre a Grande Mudança

Foi voltando pra casa que eu pensei qeu hoje é a minha última noite no meu quarto. Amanhã eu parto para um hiato na casa do meu pai e depois eu sigo para uma nova casa, com novos moradores e toda uma nova realidade. Nada de acompanhar as fases da lua na minha janela, porque a minha vista é uma parede de cimento. Nada dos 13 segundos de conversa comigo mesma no espelho do elevador até eu subir até o meu décimo andar. E é por isso que eu faço um post regado a heineken e caipirinhas do rei do pastel, apesar de serem 03:44 e de ninguém ler isso aqui.

O bom de se escrever um blog apenas para si mesma é que eu posso ser honesta o quanto eu quiser e ainda soltar tudo na blogosfera, sem me preocupar com repercussões. Posso falar sobre como eu precisei viajar por três países e passar um frio de oito graus abaixo de zero para perceber a pessoa que eu quero ser...e com quem eu quero me dividir. Posso falar da minha long lasting paixonite aguda que já está se aproximando do ridículo.

Posso falar também de o quanto foi difícil desviar do milhão de caixas que estão aogra na minha sala e de como está sendo difícil digitar as letrinhas certas do teclado. Mas às vezes, a necessidade de manifestar aquilo martelando na minha cabeça (que já surge pronto para vir pra cá) é mais forte do que o cansaço bêbado.

Leonard Cohen - Suzanne


p.s: post deveria ter ido para um caderno, não pra cá.

Monday, September 08, 2008

"Every man is an Island"

Eu comprei meu ipod no meu intercâmbio, no começo de 2006. Desde então eu não ando de uma esquina a outra sem ouvir música. Eu adquiri o hábito porque para voltar pra casa depois da aula eu caminhava 20 minutos em uma avenida desinteressante onde nunca passavam carros ou pessoas. Era só eu, caminhando, como se eu estivesse dentro de um filme. A música dava a tudo um ar de realidade plástica controlada por algum roteirista. Eu começei a unir uma atividade desagradável (ou seja, qualquer atividade física) com boa música e a minha tendência natural ao isolamento. De repente era impossível para mim fazer qualquer coisa sem ouvir música.

Mas hoje eu esqueci meus fones de ouvido, e fui obrigada a me integrar ao mundo, e ouvir os mesmos barulhos que o resto das pessoas. No começo foi interessante. Já fazem alguns anos que eu não ando pela rua prestando atenção aos ruidos do mundo. Mas depois os barulhos de carros estavam altos demais, as conversas e risos estridentes alheios começaram a me incomodar e eu percebi que mesmo fazendo esforços, eu me tornei inapta para o convívio em sociedade.

Os fones são um sinal de que eu prefiro ser deixada em paz. Se eu uso eles e óculos escuros eu me torno praticamente invisível. Não que o meu mundo seja tão sensacional, mas se uma caminhada de 10 minutos fora dele foi tão desagradável eu prefiro fugir para dentro de alguma realidade inventada, pelo menos até eu chegar em casa onde eu fecho as janelas, durmo, e só saio para enfrentar o mundo quando for realmente necessário.


Hugh Grant em "Um Grande Garoto"

"I am an island. I am bloody Ibiza! "

Tim Buckley - Morning Glory

Saturday, September 06, 2008

Bugger off. I'm going tropical.

Porque ontem eu percebi porque eu virei as costas para algumas pessoas e lugares e comportamentos que estavam presentes demais nesta vidinha minha apesar de não condizerem em absoluto com a minha personalidade.
Nick Cave canta que "Gauguin, he buggered off, man, and went all tropical".
Gauguin se apaixonou pelo Taiti e abandonou a Europa. Ele preferiu um lugar onde as pessoas sorriam para ele porque realmente gostavam dele, e não para manter o statu quo de uma cena.
Eu também prefiro climas quentes, onde meus bons amigos podem me visitar e tomar driques sentados em mesinhas no jardim, ao som de músicas na lígua mais bonita que é o português, e sorrir ou chorar comigo olhando para o meu rosto, e não para os meus sapatos, pensando o quão melhor eles estariam em outros pés que não os meus.
Esqueçam a Savassi. Me deêm as bananeiras, os risos altos. Me deêm as pessoas que são as minhas flores de manga.

Os Parau Parau - Gauguin

Leonard Cohen - Hey,thats no way to say goodbye



p.s: espero que o post acima não tenha ficado introspectivo demais. Eu escrevo para mim mesma, mas esperando que as pessoas não apenas entendam como também gostem daquilo que escrevi. Fica meio difícil quando não se consegue perceber o que a pessoa quis dizer né.